terça-feira, 20 de novembro de 2007

Oferendas para os orixás




Muitos médiuns vêm nos perguntar quais oferendas podemos dar no dia de determinado Orixá. Estaremos agora passando uma receita básica que pode ser utilizada para qualquer Orixá ou Entidade.
* um pacote de amor, em pó, para que qualquer brisa possa espalhar para as pessoas que estiverem perto ou longe de você;
* um pedaço (generoso) de fé, em estado rochoso, para que ela seja inabalável;
* algumas páginas de estudo doutrinário, para que você possa entender as intuições que recebe;
* um pacote de desejo de fazer caridade desinteressada em retribuição, para não "desandar" a massa.
Junte tudo isto num alguidar feito com o barro da resignação e determinação e venha para o terreiro. Coloque em frente ao Congá e reze a seguinte prece:
"Pai, recebe esta humilde oferenda dada com a totalidade da minha alma e revigora o meu físico para que eu possa ser um perfeito veículo dos teus enviados. Amém."
Pronto! Você acabou de fazer a maior oferenda que qualquer Orixá, Guia ou Entidade pode desejar ou precisar...
Você se dispôs a ser um MÉDIUM!

Mensagem psicografada por Mãe Iassan Ayporê Pery a ser publicada no livro "Umbanda - Mitos e Realidade" (no prelo)
Um médium iniciante, foi falar com o Dirigente do terreiro, estava ansioso em saber algumas coisas:

- Pai preciso saber urgente quem são meus Orixás, e com quais entidades vou trabalhar ?
- E por que esta pressa meu filho? – Respondeu o dirigente.
- È que tenho amigos em outro terreiro e quando souberam que eu estava freqüentando a Umbanda, me fizeram estas perguntas e eu não soube responder.
- Vou te ensinar a resposta, quando te perguntarem novamente responda:

“Sou filho do Orixá Humildade e do Orixá Caridade, as entidades com as quais vou trabalhar são Fé, Amor, Paciência, Perseverança.”

O médium ficou olhando sem entender as palavras do dirigente que continuou:
- Na Umbanda não temos de nos preocupar que são nossos Orixás, temos o dever de cultuar a todos com a mesma fé e amor, de nossas entidades o que menos vai importar é seu nome, devemos sim nos preocupar em ajudá-las a transmitir a aqueles que os procurarem as energias positivas e a paz que procuram.

domingo, 4 de novembro de 2007

Prece a Omolu

Ó Senhor de todos os tempos e de todas as idades,Ó ! Vós que girais a grande roda das encarnações.Senhor da morte, da transformação sucessiva,Destruidor das formas, dilacerador de ilusões,Piedade para todos nós, seus filhos.Senhor Omolu, agente direto do Carma,Dai-nos a sabedora e a realidade sem falsas aparências;Fazei-nos dignos de vosso trabalho e de vossa divina canseira.Ó abençoado Pai, Senhor da sucessão na matéria e na alma,Sois o grande Zelador da vontade de OLORUN,por todos os tempos e eras imemoriais,Rogamos a vossa presença,Para, conscientemente, vivermos de acordo com a Lei.Perdoai-nos Ó ! grande Ser. Pela ignorância que nosveste de temor, pelo seu grandioso trabalho,consenti que a nossa devoçãorepouse na majestade dos desígniosdo teu Poder e Querer.Atotô Omolu

Evangelho do dia 02/11

Nesse dia, refletimos um pouquinho sobre nossos queridos vovôs e vovós, que são um exemplo de humildade e caridade.
Segue o texto:

Saudando os Pretos velhos de Umbanda
As grandes metrópoles do período colonial: Portugal, Espanha, Inglaterra, França, etc; subjugaram nações africanas, fazendo dos negros mercadorias, objetos sem direitos ou alma. Os negros africanos foram levados a diversas colônias espalhadas principalmente nas Américas e em plantações no Sul de Portugal e em serviços de casa na Inglaterra e França. Os traficantes coloniais utilizavam-se de diversas técnicas para poder arrematar os negros: Chegavam de assalto e prendiam os mais jovens e mais fortes da tribo, que viviam principalmente no litoral Oeste, no Centro-oeste, Nordeste e Sul da África. Trocavam por mercadoria: espelhos, facas, bebidas, etc. Os cativos de uma tribo que fora vencida em guerras tribais ou corrompiam os chefes da tribo e financiavam as guerras e fazia dos vencidos escravos. No Brasil os escravos negros chegavam por Recife e Salvador, nos séculos XVI e XVII, e no Rio de Janeiro, no século XVIII.Os primeiros grupos que vieram para essas regiões foram os bantos; cabindos; sudaneses; iorubas; geges; hauçá; minas e malês.A valorização do tráfico negreiro, fonte da riqueza colonial, custou muito caro:“Em quatro séculos, XV ao XIX, a África perdeu, entre escravizados e mortos 65 a 75 milhões de pessoas, e estas constituiam uma parte selecionada da população”.Arrancados de sua terra de origem, uma vida amarga e penosa esperava esses homens e mulheres na colônia: trabalho de sol a sol nas grandes fazendas de açúcar. Tanto esforço, que um africano aqui chegado durava, em média, de sete a dez anos! Em troca de seu trabalho os negros recebiam três "pês": pau, pano e pão. E reagiam a tantos tormentos suicidando-se, evitando a reprodução, assassinando feitores, capitães–do-mato e proprietários. Em seus cultos, os escravos resistiam, simbolicamente, à dominação. A "macumba" era, e ainda é, um ritual de liberdade, protesto, reação à opressão. As rezas, batucadas, danças e cantos eram maneiras de aliviar a asfixia da escravidão. A resistência também acontecia na fuga das fazendas e na formação dos quilombos, onde os negros tentaram reconstituir sua vida africana. Um dos maiores quilombos foi o Quilombo dos Palmares onde reinou Ganga Zumba ao lado de seu guerreiro Zumbi, protegido de Ogum.Os negros que se adaptavam mais facilmente à nova situação recebiam tarefas mais especializadas, reprodutores, caldeireiro, carpinteiros, tocheiros, trabalhador na casa grande (escravos domésticos) e outros, ganharam alforria pelos seus senhores ou pelas leis do Sexagenário, Ventre livre e enfim a Lei Áurea.Estes negros aos poucos conseguiram envelhecer e constituir mesmo de maneira precária uma união representativa da língua, culto aos Orixás e aos antepassados e tornaram-se um elemento de referência para os mais novos, refletindo os velhos costumes da Mãe África. Eles conseguiram preservar e até modificar, no sincretismo, sua cultura e sua religião.
ATUAÇÃO
E assim são os Pretos-Velhos da Umbanda. Eles representam a força, a resignação, a sabedoria, o amor e a caridade. São um ponto de referência para todos aqueles que necessitam: curam, ensinam, educam pessoas e espíritos sem luz.Eles representam a humildade, não têm raiva ou ódio pelas humilhações, atrocidades e torturas a que foram submetidos no passado.Com seus cachimbos, fala pousada, tranqüilidade nos gestos, eles escutam e ajudam àqueles que necessitam, independentes de sua cor, idade, sexo e de religião.Não se pode dizer que em sua totalidade que esses espíritos são diretamente os mesmos pretos-velhos da escravidão. Pois, no processo cíclico da reencarnação passaram por muitas vidas anteriores foram: negros escravos, filósofos, médicos, ricos, pobres, iluminados, e outros. Mas, para ajudar aqueles que necessitam escolheram ou foram escolhidos para voltar a terra em forma incorporada de preto-velho. Outros, nem pretos-velhos foram, mas escolheram como missão voltar nessa pseudo-forma.Este comentário pode deixar algumas pessoas, do culto e fora dele, meio confusas: "então o preto-velho não é preto-velho, ou é, ou o que acontece???".
O espírito que evoluiu tem a capacidade de se por como qualquer forma passada, pois ele é energia viva e conduzente de luz, a forma é apenas uma conseqüência do que eles tenham que fazer na terra. Esses espíritos podem se apresentar, por exemplo, em lugares como um médico e em outros como um preto-velho ou até mesmo um caboclo ou exu. Tudo isso vai de acordo com o seu trabalho, sua missão. Não é uma forma de enganar ou má fé com relação àqueles que acreditam, muito pelo contrário, quando se conversa sinceramente, eles mesmos nos dizem quem são, caso tenham autorização.
Por isso, se você for falar com um preto-velho, tenha humildade e saiba escutar, não queira milagres ou que ele resolva seus problemas, como em um passe de mágica, entenda que qualquer solução tem o princípio dentro de você mesmo, tenha fé, acredite em você, tenha amor a Deus e a você mesmo.Para muitos os pretos-velhos são conselheiros mostrando a vida e seus caminhos; para outros, são psicólogos, amigos, confidentes, mentores espirituais; para outros, são os exorcistas que lutam com suas mirongas, banhos de ervas, pontos de fogo, pontos riscados e outros, apoiados pelos exus de lei (exus de luz) desfazendo trabalhos e contra as forças negativas (o mal), espíritos obsessores e contra os exus pagãos (sem luz que trabalham na corrente negativa que levam os homens ao lado negativo e a destruição).

O LAMENTO DE UM NEGRO VELHO
Sofri no eito, Sofri na senzala, Quanta dô em meu peito!

Chorei, sofri, Apanhei de todo o jeito De sofrer quase morri Quanta dô em meu peito!
Suor, lágrima, derramei, De dor, de saudade, chorei, Sob o sol, sob a chuva no eito. Quanta dô em meu peito!
Veio a liberdade, Ainda assim eu chorei, De alegria é verdade. A tristeza não deixei, Negro é assim, não tem jeito. Quanta dô em meu peito!
Morto, ao mundo voltei. Ouço queixa e sofrimento Em todos os terreiros. É o continuar do meu lamento!
Augusto dos Anjos – Editora Nova Aguilar.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Obaluaê

Amanhã (02/11) comemoramos o dia de Obaluaê. Para refletirmos um pouquinho sobre esse Orixá:

Obaluaê é o Orixá que atua na Evolução e seu campo preferencial é aquele que sinaliza as passagens de um nível vibratório ou estágio da evolução para outro. É o Orixá da passagem entre os vivos e os desencarnados. Orientador das calungas (cemitérios) coordena as passagens. Tem o Dom da cura e das pestes, utensílio que o Grande Pai utiliza quando precisamos aprender a nos apegar mais ao espiritual, ao amor ao próximo, ao altruísmo. Infelizmente aprendemos muito pouco pelo amor, e ainda precisamos da dor para nos educar. O contraste entre o preto e o branco, a passagem, são as cores deste Orixá. É o senhor da vida e da morte, é ele quem traz a doença, mas, também traz a cura. Cultuado na Umbanda, principalmente em trabalhos relacionados com a cura. Todo e qualquer trabalho que envolva a cura, o cuidado com um enfermo é dirigido a este Orixá. Omulú, também conhecido como "o velho", Obaluaê, também conhecido como "o novo". É o regente do pólo magnético masculino da linha da Evolução, que surge a partir da projeção do Trono Essencial do Saber ou Trono da Evolução. Juntamente com Nanã Buruquê cuida das passagens dos estágios evolutivos. Obaluaê estabelece o cordão energético que une o espírito ao corpo (feto), que será recebido no útero materno assim que alcançar o desenvolvimento celular básico (órgãos físicos). É o mistério "Obaluaê " que reduz o corpo plasmático do espírito até que fique do tamanho do corpo carnal alojado no útero materno. Nesta redução (que é um mistério de Deus regido por Obaluaê ), o espírito assume todas as características e feições do seu novo corpo carnal, já formado. Muitos associam o divino Obaluaê apenas com o Orixá curador, que ele realmente é, pois cura mesmo! Mas Obaluaê é muito mais do que já o descreveram. Ele é o "Senhor das Passagens" de um plano para outro, de uma dimensão para outra, e mesmo do espírito para a carne e vice-versa. Também conhecido como médico dos pobres, senhor absoluto de todas as doenças de pele e infecciosas. Protetor dos desamparados, humildes, doentes e médicos.

Sua cor é o preto e branco, sua erva é canela de velho, guiné, seu símbolo é o brajá de búzios, xaxará, instrumento de obaluaê como um chocalho, sua saudação é atotô, sua guia é de contas pretas e brancas de louça, sua pedra é a turmalina negra e ônix, sua essência é de cravo e canela, seu metal é o bronze, seu número é o 21 e o 9, sua comida é o doburu milho de pipoca estourados na areia da praia, sua bebida é o vinho de palma ou vinho moscatel, sua fruta é fruta do conde, abacaxi, seu dia é segunda-feira, é sincretizado com São Lázaro (Omulú) ou São Roque (Obaluaê).

CABOCLOS DE OBALUAÊ

São raros, pois são espíritos dos antigos "bruxos" das tribos indígenas. São perigosos, por isso só filhos de Omulú/Obaluaê de primeira coroa possuem esses caboclos. Sua incorporação parece um Preto-velho, locomovem-se apoiados em cajados. Movimentam-se pouco. Fazem trabalhos de magia, para vários fins.

PRETOS VELHOS DE OBALUAÊ

São simples em sua forma de incorporar e falar. Exigem muito de seus médiuns, tanto na postura quanto na moral. Defendem quem é certo ou quem está certo, independente de quem seja, mesmo que para isso ganhem a antipatia dos outros. Agarram-se a seus "filhos" com total dedicação e carinho, não deixando no entanto de cobrar e corrigir também. Pois entendem que a correção é uma forma de amar. Devido a elevação e a antiguidade do Orixá para o qual eles trabalham, acabam transformando suas consultas em conselhos totalmente diferenciados dos demais Pretos Velhos. Ou seja, se adaptam a qualquer assunto e falam deles exatamente com a precisão do momento. Como trabalha para Obaluaê, e este é o "dono das almas", esses Pretos Velhos são geralmente chefes de linha e assim explica-se a facilidade para trabalhar para vários assuntos. Sua "visão" é de longo alcance para diversos assuntos, tornando-os capazes de traçar projetos distantes e longos para seus consulentes. Tanto pessoal como profissional e até espiritual. Assim exigem também fiel cumprimento de suas normas, para que seus projetos não saiam errado, para tanto, os filhos que os seguem, devem fazer passo a passo de tudo que lhe for pedido, apenas confiando nesses Preto-velhos. Quando o filho não faz isso, costumam tirar o que já lhe deu, para que o mesmo repense a importância desse Preto-velho em sua vida. Gostam de contar histórias para enriquecer de conhecimento o médium e as pessoas a volta.
(Fonte: umbandadeluz.com.br)